DHEA: para que serve, como age e quando avaliar os níveisFunção, declínio com a idade e contexto da avaliação clínica

O DHEA (desidroepiandrosterona) é produzido pelas glândulas adrenais e é o hormônio esteróide mais abundante na circulação humana. Apesar de pouco ativo por si mesmo, funciona como precursor periférico de testosterona e estrogênio — e seus níveis declinam progressivamente com o envelhecimento.

Conteúdo elaborado e revisado porDr. Eliseu RodasMédico com pós-graduação em EndocrinologiaCRM-SP 266.535 · CRM-SC 40.346Última atualização: maio de 2025Última revisão médica: maio de 2025

O que é DHEA e como atua

Precursor de hormônios sexuais

O DHEA em si tem afinidade muito baixa pelos receptores androgênicos e estrogênicos. Sua importância clínica vem da conversão periférica: em tecidos como gordura, pele, fígado e glândulas sexuais, ele é convertido em testosterona, diidrotestosterona (DHT) e estradiol. A quantidade convertida varia com a composição corporal, o sexo e a idade do indivíduo.

Adrenopausa: o declínio normal

O DHEA-S atinge seu pico por volta dos 25-30 anos e declina a uma taxa de aproximadamente 2% ao ano. Aos 70 anos, os níveis são geralmente 20-30% dos valores de pico. Esse fenômeno é chamado de adrenopausa e acontece de forma independente da menopausa e da andropausa.

DHEA-S: variação por faixa etária

Faixa etáriaDHEA-S homens (mcg/dL)DHEA-S mulheres (mcg/dL)
20-29 anos280 – 64065 – 380
30-39 anos120 – 52045 – 270
40-49 anos95 – 53032 – 240
50-59 anos70 – 31026 – 200
60-69 anos42 – 29013 – 130
Valores aproximados para referência. Cada laboratório usa sua própria faixa — consulte os valores de referência do seu laudo.

Quando a avaliação do DHEA-S é relevante

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Fadiga crônica sem causa identificada nos exames habituais
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Queda de rendimento em atletas com painel hormonal básico normal
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Investigação de hirsutismo ou alterações menstruais em mulheres
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Avaliação hormonal integrada em adultos acima de 45 anos
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Suspeita de hiperfunção adrenal (DHEA-S muito elevado pode sugerir tumor adrenal)

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Perguntas frequentes

DHEA é o mesmo que DHEA-S?

Não exatamente. DHEA (desidroepiandrosterona) é a forma livre do hormônio. DHEA-S (sulfato de DHEA) é a forma sulfatada, predominante na circulação e com meia-vida muito mais longa. Para avaliação laboratorial de rotina, o DHEA-S é o exame mais útil — seus níveis são mais estáveis ao longo do dia, sem variação circadiana importante.

DHEA baixo causa sintomas?

O declínio de DHEA é gradual e faz parte do envelhecimento normal (adrenopausa). Em alguns indivíduos, níveis muito baixos para a faixa etária podem contribuir para fadiga, baixa libido, sensação de vitalidade reduzida e menor tolerância ao estresse. A associação causal é discutida na literatura — a avaliação clínica contextualiza o resultado.

DHEA pode ser suplementado?

DHEA está disponível como suplemento sem prescrição em alguns países (como EUA), mas no Brasil é regulado como medicamento e exige prescrição médica. A suplementação sem critério clínico tem riscos: excesso de andrógenos em mulheres, acne, alterações lipídicas e interferência no eixo HPG. A indicação e o acompanhamento clínico são necessários.

DHEA tem relação com a testosterona?

Sim. O DHEA é precursor periférico de testosterona e estrogênio — a conversão ocorre principalmente em tecido adiposo, pele e glândulas sexuais. Em homens com DHEA-S baixo, parte da queda de testosterona pode ter origem adrenal. Em mulheres, DHEA é uma fonte importante de andrógenos, especialmente após a menopausa.

DHEA deve ser medido em todos os exames hormonais?

Não necessariamente em todos os casos. O DHEA-S integra o painel quando há sintomas sugestivos de disfunção adrenal, investigação de hirsutismo ou virilização em mulheres, avaliação de fadiga crônica sem causa identificada, e rastreamento hormonal de atletas com queda de rendimento. Em homens jovens sem sintomas, não é exame de rotina.