DHEA: para que serve, como age e quando avaliar os níveis
O DHEA (desidroepiandrosterona) é produzido pelas glândulas adrenais e é o hormônio esteróide mais abundante na circulação humana. Apesar de pouco ativo por si mesmo, funciona como precursor periférico de testosterona e estrogênio — e seus níveis declinam progressivamente com o envelhecimento.
O que é DHEA e como atua
Precursor de hormônios sexuais
O DHEA em si tem afinidade muito baixa pelos receptores androgênicos e estrogênicos. Sua importância clínica vem da conversão periférica: em tecidos como gordura, pele, fígado e glândulas sexuais, ele é convertido em testosterona, diidrotestosterona (DHT) e estradiol. A quantidade convertida varia com a composição corporal, o sexo e a idade do indivíduo.
Adrenopausa: o declínio normal
O DHEA-S atinge seu pico por volta dos 25-30 anos e declina a uma taxa de aproximadamente 2% ao ano. Aos 70 anos, os níveis são geralmente 20-30% dos valores de pico. Esse fenômeno é chamado de adrenopausa e acontece de forma independente da menopausa e da andropausa.
DHEA-S: variação por faixa etária
| Faixa etária | DHEA-S homens (mcg/dL) | DHEA-S mulheres (mcg/dL) |
|---|---|---|
| 20-29 anos | 280 – 640 | 65 – 380 |
| 30-39 anos | 120 – 520 | 45 – 270 |
| 40-49 anos | 95 – 530 | 32 – 240 |
| 50-59 anos | 70 – 310 | 26 – 200 |
| 60-69 anos | 42 – 290 | 13 – 130 |
Quando a avaliação do DHEA-S é relevante
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Perguntas frequentes
DHEA é o mesmo que DHEA-S?
Não exatamente. DHEA (desidroepiandrosterona) é a forma livre do hormônio. DHEA-S (sulfato de DHEA) é a forma sulfatada, predominante na circulação e com meia-vida muito mais longa. Para avaliação laboratorial de rotina, o DHEA-S é o exame mais útil — seus níveis são mais estáveis ao longo do dia, sem variação circadiana importante.
DHEA baixo causa sintomas?
O declínio de DHEA é gradual e faz parte do envelhecimento normal (adrenopausa). Em alguns indivíduos, níveis muito baixos para a faixa etária podem contribuir para fadiga, baixa libido, sensação de vitalidade reduzida e menor tolerância ao estresse. A associação causal é discutida na literatura — a avaliação clínica contextualiza o resultado.
DHEA pode ser suplementado?
DHEA está disponível como suplemento sem prescrição em alguns países (como EUA), mas no Brasil é regulado como medicamento e exige prescrição médica. A suplementação sem critério clínico tem riscos: excesso de andrógenos em mulheres, acne, alterações lipídicas e interferência no eixo HPG. A indicação e o acompanhamento clínico são necessários.
DHEA tem relação com a testosterona?
Sim. O DHEA é precursor periférico de testosterona e estrogênio — a conversão ocorre principalmente em tecido adiposo, pele e glândulas sexuais. Em homens com DHEA-S baixo, parte da queda de testosterona pode ter origem adrenal. Em mulheres, DHEA é uma fonte importante de andrógenos, especialmente após a menopausa.
DHEA deve ser medido em todos os exames hormonais?
Não necessariamente em todos os casos. O DHEA-S integra o painel quando há sintomas sugestivos de disfunção adrenal, investigação de hirsutismo ou virilização em mulheres, avaliação de fadiga crônica sem causa identificada, e rastreamento hormonal de atletas com queda de rendimento. Em homens jovens sem sintomas, não é exame de rotina.
Referências institucionais