A tirzepatida (Mounjaro) é a evolução dos agonistas GLP-1: ao adicionar ação no receptor GIP, produziu perdas de peso maiores do que a semaglutida nos estudos clínicos. Entenda o mecanismo, os dados de eficácia e o que a avaliação médica precisa considerar antes de prescrever.
Por Dr. Eliseu Rodas · CRM-SP 266.535 · Médico com pós-graduação em Endocrinologia · Atualizado em maio de 2026
Em números — dados verificáveis
Classe farmacológica
Agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1. EMA
Fabricante
Eli Lilly and Company (registrante europeu: Eli Lilly Nederland B.V., Utrecht)
Aprovação FDA — diabetes tipo 2
Maio de 2022 (Mounjaro)
Aprovação FDA — obesidade
08/11/2023 (Zepbound). FDA
Aprovação EMA
15/09/2022 (Mounjaro)
Doses disponíveis
2,5 · 5 · 7,5 · 10 · 12,5 · 15 mg/semana SC
SURMOUNT-1 (Jastreboff AM et al., NEJM 2022) — obesidade sem diabetes
Fonte: PubMed · DOI 10.1056/NEJMoa2206038
SURPASS-2 (Frías JP et al., NEJM 2021) — diabetes tipo 2 vs semaglutida 1 mg
Fonte: PubMed · DOI 10.1056/NEJMoa2107519
A tirzepatida foi desenvolvida pela Eli Lilly and Company e aprovada pelo FDA em maio de 2022 (Mounjaro, para diabetes tipo 2) e em 08/11/2023 (Zepbound, para obesidade). A autorização europeia (EMA) ocorreu em 15/09/2022. É classificada como um agonista dual dos receptores GLP-1 e GIP — diferente da semaglutida (Novo Nordisk), que age apenas no receptor GLP-1. A molécula ativa simultaneamente dois receptores de hormônios incretínicos — GLP-1 (glucagon-like peptide-1) e GIP (glucose-dependent insulinotropic polypeptide).
Essa dupla ação não é simplesmente aditiva — os estudos sugerem um efeito sinérgico: a ativação do GIP potencializa a resposta ao GLP-1 no tecido adiposo, aumentando a sensibilidade à insulina no próprio tecido gorduroso. No ensaio SURMOUNT-1 (Jastreboff AM et al., NEJM 2022, NCT04184622, n = 2.539 adultos, 72 semanas), a tirzepatida 15 mg semanais reduziu peso médio em 20,9% versus 3,1% no placebo. No SURPASS-2 (NEJM 2021, NCT03987919, n = 1.879), a tirzepatida 15 mg foi superior à semaglutida 1 mg na redução de HbA1c em 0,45 ponto percentual adicional. O resultado é maior mobilização de gordura, maior redução de apetite central e controle glicêmico superior ao observado com agonistas GLP-1 isolados nas doses comparadas.
No SURMOUNT-1 (NEJM, 2022), adultos com obesidade sem diabetes usando tirzepatida 15 mg perderam em média 20,9% do peso corporal em 72 semanas. Com 10 mg, a perda foi de 19,5%; com 5 mg, 15%. O grupo placebo perdeu 3,1%. Cerca de 37% dos participantes da dose de 15 mg atingiram perda de peso superior a 25%.
No SURPASS-2 (NEJM, 2021), pacientes com diabetes tipo 2 foram randomizados para tirzepatida (5, 10 ou 15 mg) ou semaglutida 1 mg. Todas as doses de tirzepatida superaram a semaglutida em redução de HbA1c e em perda de peso. A diferença em perda de peso foi de até 5,5 kg a favor da tirzepatida 15 mg.
Esses dados posicionaram o Mounjaro como o medicamento de maior eficácia em perda de peso disponível no Brasil em 2026 — razão pela qual superou a semaglutida em vendas a partir de janeiro daquele ano. Veja o comparativo completo em Ozempic x Mounjaro.
A tirzepatida é iniciada em 2,5 mg/semana e aumentada a cada 4 semanas em incrementos de 2,5 mg, até a dose-alvo. As doses disponíveis são: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg.
A dose de manutenção é definida conforme tolerabilidade e resposta clínica — não é necessário chegar a 15 mg se houver resposta adequada em doses menores ou efeitos gastrointestinais limitantes. O monitoramento periódico avalia eficácia, tolerabilidade e necessidade de ajuste.
As contraindicações são as mesmas dos demais GLP-1: histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT) ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2), pancreatite ativa e hipersensibilidade à molécula. A avaliação pré-tratamento inclui função renal e hepática, glicemia, HbA1c, história de pancreatite e análise das comorbidades presentes.
Para pacientes que já usam semaglutida e consideram a troca para tirzepatida, a retitulação começa do zero — não é feita transição direta entre as doses. A avaliação metabólica completa garante que o tratamento seja direcionado à causa real da dificuldade de emagrecer, e não apenas à supressão do apetite.
A consulta médica avalia histórico, exames e critérios clínicos para definir qual medicamento — e qual dose — é adequado para o seu quadro. Atendimento 100% online para todo o Brasil.
Referências institucionais